Presidente diz que entendimento com empresários e políticos é sua forma de governar; "O governo dialoga, persuade", disse aos jornalistas, após lançar plano em defesa do consumidor; ela respondia ao fato de os preços dos alimentos não terem baixado mesmo após a desoneração da cesta básica, e disse que a questão agora é com os empresários; o governo trabalha "mais no lado da persuasão, não da ameaça, nem da coação"
247 – A presidente Dilma Rousseff declarou nesta sexta-feira 15 que "a relação do prende e arrebenta acabou", ao ser questionada por jornalistas sobre a possibilidade de a desoneração dos produtos da cesta básica não terem efeito direto sobre o consumidor. Segundo ela, a questão agora está com os empresários, responsáveis pela redução nos preços dos alimentos.
"O governo dialoga, o governo persuade", disse Dilma, em referência a sua relação com os empresários, indicando que não poderia obrigá-los a reduzir os preços. "É uma questão que beneficia o empresário. Se ele tiver desoneração, ele vai ter mais renda", afirmou, sobre a medida anunciada há uma semana. "Mas é mais o lado da persuasão, não o lado da ameaça e da coação", acrescentou a presidente.
"Eu tenho certeza que tem vários produtores, vários empresários, que já desoneraram. Alguns não fizeram. Esse é um processo de educação, de conscientização", acrescentou Dilma. Nesta última semana, apesar da desoneração anunciada pelo governo, os preços dos itens de primeira necessidade tiveram reajuste de 0,55%. O valor médio de uma cesta com 31 produtos, que na quinta-feira passada era de R$ 384,58, passou para R$ 386,71 na quarta-feira 13.
Aberta a críticas
Em relação às críticas feitas pelo empresário Jorge Gerdau, publicadas na Folha de S.Paulo, a presidente afirmou que "qualquer um" pode atacar "este governo". Numa entrevista ao jornal, o presidente da Câmara de Políticas de Gestão da Presidência disse que o Brasil precisa "trabalhar com meia dúzia de ministérios" e não com as 39 pastas atuais. "Quando a burrice, ou a loucura, ou a irresponsabilidade vai muito longe, de repente, sai um saneamento. Nós provavelmente estamos no limite desse período", disse ele.
Para mencionar o período de liberdade e democracia vivido atualmente, Dilma relatou aos jornalistas que, quando participou de cerimônia no MAR (Museu de Arte do Rio), havia três manifestações do lado de fora, e o barulho era bastante elevado. Ao olhar pela janela, a presidente reconheceu o pátio da Polícia Federal e se lembrou de que havia estado lá antes, presa, na época da ditadura militar, e que naquele momento o ambiente era ocupado por manifestações.
"Eu pensei assim: esse Brasil é ótimo. Eu, presidente da República, estive presa ali ao lado. Agora, eu, como presidente da República, conseguia conviver perfeitamente com o barulho das manifestações e achar que era absolutamente natural", declarou Dilma. A presidente concluiu que o episódio "mostra que ao longo da minha vida, eu assisti a ditadura e a maior democracia na América Latina". Questionada sobre a reforma no ministério, que pode ser anunciada ainda nesta sexta, ela foi taxativa: "Eu não vou discutir ministério".
ESQUERDA CENSURADA

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